Que faço aqui neste estranho mundo de sentimentos que não vivo, de sorrisos que não vejo, de vozes que não ouço?
Quem me chama de amiga sem ver o meu olhar, sem sentir a força do meu abraço?
Aqui, sou o que quero mostrar, sou um poço de virtudes. Os defeitos deixo-os no mundo real, onde descarrego a raiva e as frustrações.
Aos que me vêem sem esta máscara eu não chamo de amigos. Olho-os sem ouvir as frases bonitas que aqui me são deixadas, porque no mundo real não há tempo para dizê-las, menos ainda, senti-las.
Aqui, onde o Sol não entra e a Lua não brilha, vivo ofuscada por luzes enganosas que me desviam os sentidos e ludibriam os sonhos.
Aqui, fantasio a beleza que não tenho e finjo acreditar que o mundo é perfeito. Sinto-me protegida, inatacável.
Neste mundo só entra quem deixo entrar. Não sofro a dor da rejeição.
Engano meu. Também existe sofrimento virtual, já o senti, continuo a senti-lo, sempre que passo esta porta e não me esperam as palavras que pretendia ler, as frases que queria “ouvir”.
Tudo porque acreditei.
Quase todos, os que por aqui andam, têm sentimentos reais e, certamente, sentem e pensam do mesmo modo.
Nesta fábrica de amigos, rabisco o que ninguém lê e não leio tudo o que me é enviado, porque os “amigos” são cada vez mais numerosos e não há tempo para lhes dedicar. Para os amigos o tempo que lhes emprestamos é precioso. É preciso dizer: “Tenho todo o tempo do mundo”. Não posso atraiçoá-los nem deixar que me enganem. Assim, não vou mentir-lhes, não vou dizer-lhes que podem contar comigo incondicionalmente porque não estarei a dizer-lhes a verdade. Mesmo virtualmente preciso manter-me fiel aos meus princípios.
Afinal a quem chamo de amigo?
A ti, que não vês as lágrimas que rolam no meu rosto quando a tristeza invade o meu coração, que não ouves o meu riso quando, alegremente, agradeço mais um dia que decorreu sem conflitos nem a raiva das minhas palavras quando me sinto injuriada?
A ti que, simplesmente, não sei quem és nem onde estás poderei confiar um espacinho do meu coração e chamar-te de amigo? Será o meu coração tão espaçoso que possa acolher-vos a todos?
A ti, que não... que sim... que talvez!
Que controverso e estranho mundo este. Mundo que elegi, pelo qual optei. Um mundo paralelo àquele que me foi imposto e decretado que terei de viver com regras das quais discordo, regras ditadas por uma elite que não sai à rua onde a vida acontece. Preceitos que não tem de cumprir porque não os fez para si. Princípios com leituras diversas, que cerceiam a liberdade de uns e a devolvem a outros porque a própria liberdade não é natural, é controlada, se assim não fosse não necessitaria de ser reclamada.
Dois mundos que se conturbam e nos confundem.
Não posso ceder ao encantamento de viver neste mundo de fantasia. A vida é uma só e não pode ser aprisionada em mundos fictícios.
Não quero insistir em encontrar-me com “amigos” que não vejo e que não sinto. Se amigos tiver, terão de caminhar a meu lado, chorar as minhas lágrimas, rir as minhas gargalhadas. Onde estão? Olho e a meu lado só caminha a minha sombra, mas insisto na busca porque aqui os sentimentos, aparentemente virtuais, talvez sejam tão reais quanto os meus. Preciso continuar a acreditar!
Quem me chama de amiga sem ver o meu olhar, sem sentir a força do meu abraço?
Aqui, sou o que quero mostrar, sou um poço de virtudes. Os defeitos deixo-os no mundo real, onde descarrego a raiva e as frustrações.
Aos que me vêem sem esta máscara eu não chamo de amigos. Olho-os sem ouvir as frases bonitas que aqui me são deixadas, porque no mundo real não há tempo para dizê-las, menos ainda, senti-las.
Aqui, onde o Sol não entra e a Lua não brilha, vivo ofuscada por luzes enganosas que me desviam os sentidos e ludibriam os sonhos.
Aqui, fantasio a beleza que não tenho e finjo acreditar que o mundo é perfeito. Sinto-me protegida, inatacável.
Neste mundo só entra quem deixo entrar. Não sofro a dor da rejeição.
Engano meu. Também existe sofrimento virtual, já o senti, continuo a senti-lo, sempre que passo esta porta e não me esperam as palavras que pretendia ler, as frases que queria “ouvir”.
Tudo porque acreditei.
Quase todos, os que por aqui andam, têm sentimentos reais e, certamente, sentem e pensam do mesmo modo.
Nesta fábrica de amigos, rabisco o que ninguém lê e não leio tudo o que me é enviado, porque os “amigos” são cada vez mais numerosos e não há tempo para lhes dedicar. Para os amigos o tempo que lhes emprestamos é precioso. É preciso dizer: “Tenho todo o tempo do mundo”. Não posso atraiçoá-los nem deixar que me enganem. Assim, não vou mentir-lhes, não vou dizer-lhes que podem contar comigo incondicionalmente porque não estarei a dizer-lhes a verdade. Mesmo virtualmente preciso manter-me fiel aos meus princípios.
Afinal a quem chamo de amigo?
A ti, que não vês as lágrimas que rolam no meu rosto quando a tristeza invade o meu coração, que não ouves o meu riso quando, alegremente, agradeço mais um dia que decorreu sem conflitos nem a raiva das minhas palavras quando me sinto injuriada?
A ti que, simplesmente, não sei quem és nem onde estás poderei confiar um espacinho do meu coração e chamar-te de amigo? Será o meu coração tão espaçoso que possa acolher-vos a todos?
A ti, que não... que sim... que talvez!
Que controverso e estranho mundo este. Mundo que elegi, pelo qual optei. Um mundo paralelo àquele que me foi imposto e decretado que terei de viver com regras das quais discordo, regras ditadas por uma elite que não sai à rua onde a vida acontece. Preceitos que não tem de cumprir porque não os fez para si. Princípios com leituras diversas, que cerceiam a liberdade de uns e a devolvem a outros porque a própria liberdade não é natural, é controlada, se assim não fosse não necessitaria de ser reclamada.
Dois mundos que se conturbam e nos confundem.
Não posso ceder ao encantamento de viver neste mundo de fantasia. A vida é uma só e não pode ser aprisionada em mundos fictícios.
Não quero insistir em encontrar-me com “amigos” que não vejo e que não sinto. Se amigos tiver, terão de caminhar a meu lado, chorar as minhas lágrimas, rir as minhas gargalhadas. Onde estão? Olho e a meu lado só caminha a minha sombra, mas insisto na busca porque aqui os sentimentos, aparentemente virtuais, talvez sejam tão reais quanto os meus. Preciso continuar a acreditar!


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