sexta-feira, 27 de junho de 2008

Momentos Virtuais (hi5)

Que faço aqui neste estranho mundo de sentimentos que não vivo, de sorrisos que não vejo, de vozes que não ouço?
Quem me chama de amiga sem ver o meu olhar, sem sentir a força do meu abraço?
Aqui, sou o que quero mostrar, sou um poço de virtudes. Os defeitos deixo-os no mundo real, onde descarrego a raiva e as frustrações.
Aos que me vêem sem esta máscara eu não chamo de amigos. Olho-os sem ouvir as frases bonitas que aqui me são deixadas, porque no mundo real não há tempo para dizê-las, menos ainda, senti-las.
Aqui, onde o Sol não entra e a Lua não brilha, vivo ofuscada por luzes enganosas que me desviam os sentidos e ludibriam os sonhos.
Aqui, fantasio a beleza que não tenho e finjo acreditar que o mundo é perfeito. Sinto-me protegida, inatacável.
Neste mundo só entra quem deixo entrar. Não sofro a dor da rejeição.
Engano meu. Também existe sofrimento virtual, já o senti, continuo a senti-lo, sempre que passo esta porta e não me esperam as palavras que pretendia ler, as frases que queria “ouvir”.
Tudo porque acreditei.
Quase todos, os que por aqui andam, têm sentimentos reais e, certamente, sentem e pensam do mesmo modo.
Nesta fábrica de amigos, rabisco o que ninguém lê e não leio tudo o que me é enviado, porque os “amigos” são cada vez mais numerosos e não há tempo para lhes dedicar. Para os amigos o tempo que lhes emprestamos é precioso. É preciso dizer: “Tenho todo o tempo do mundo”. Não posso atraiçoá-los nem deixar que me enganem. Assim, não vou mentir-lhes, não vou dizer-lhes que podem contar comigo incondicionalmente porque não estarei a dizer-lhes a verdade. Mesmo virtualmente preciso manter-me fiel aos meus princípios.
Afinal a quem chamo de amigo?
A ti, que não vês as lágrimas que rolam no meu rosto quando a tristeza invade o meu coração, que não ouves o meu riso quando, alegremente, agradeço mais um dia que decorreu sem conflitos nem a raiva das minhas palavras quando me sinto injuriada?
A ti que, simplesmente, não sei quem és nem onde estás poderei confiar um espacinho do meu coração e chamar-te de amigo? Será o meu coração tão espaçoso que possa acolher-vos a todos?
A ti, que não... que sim... que talvez!
Que controverso e estranho mundo este. Mundo que elegi, pelo qual optei. Um mundo paralelo àquele que me foi imposto e decretado que terei de viver com regras das quais discordo, regras ditadas por uma elite que não sai à rua onde a vida acontece. Preceitos que não tem de cumprir porque não os fez para si. Princípios com leituras diversas, que cerceiam a liberdade de uns e a devolvem a outros porque a própria liberdade não é natural, é controlada, se assim não fosse não necessitaria de ser reclamada.
Dois mundos que se conturbam e nos confundem.
Não posso ceder ao encantamento de viver neste mundo de fantasia. A vida é uma só e não pode ser aprisionada em mundos fictícios.
Não quero insistir em encontrar-me com “amigos” que não vejo e que não sinto. Se amigos tiver, terão de caminhar a meu lado, chorar as minhas lágrimas, rir as minhas gargalhadas. Onde estão? Olho e a meu lado só caminha a minha sombra, mas insisto na busca porque aqui os sentimentos, aparentemente virtuais, talvez sejam tão reais quanto os meus. Preciso continuar a acreditar!

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