Lembras-te da chamada pedida ao destinatário, como sempre fazias e eu não conseguia recusar, naquele primeiro fim de semana de Maio? Querias falar comigo, como acontecia quase todos os fins de semana daquele teu último ano, e eu não fui, não sabia que era o derradeiro pedido que me fazias.
Não imaginas a angústia que, ainda hoje sinto, quando me lembro. Eram só duzentos quilómetros que nos separavam, agora é a distância do tempo que me falta para ir ao teu encontro.
Não calculas como é doloroso pensar em tudo o que ficou por dizer. A culpa de não ter chegado a tempo de te dizer adeus.
É tarde para lamentar, eu sei, mas hoje pensei nos momentos que continuo a perder, nas coisas que deixo por dizer e invade-me o medo de, novamente, deixar partir alguém sem me despedir.
A ti, meu irmão, já não posso dizê-lo, mas outros há ainda, a quem preciso dizer o quanto são importantes para mim.



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