terça-feira, 10 de março de 2009

Santiago do Cacém



Para o(a) assíduo(a) e desconhecido(a) visitante de Santo André, obrigada pelo interesse em seguir este modesto espaço onde timidamente vou desnudando alguns dos meus mais íntimos medos, conflitos, frustrações, contradições, fracassos... também o que ainda me faz feliz que, mesmo parecendo pouco, é o mais importante. Sem estas "pequenas" dádivas não conseguiria sobreviver.

Não sei se nos conhecemos, se temos algo em comum... sei que, se não é natural pelo menos vive num local que me é grato onde tenho algumas raízes e vagas memórias de infância, de quando Santo André ainda não era Vila, muito menos Nova. De quando no lugar das habitações havia pinhais. De quando A Vila de Santiago, minha terra natal, era isso mesmo uma pequena e acolhedora vila, local de passagem para turistas e veraneantes que se deslocavam para o Algarve. Teimosamente recuso-me chamar-lhe cidade. Ainda me soam nos ouvidos as vozes dos meus avós, que vestiam as suas melhores roupas quando precisavam deslocar-se, quer para ir ao médico ou fazer algumas compras que não encontravam na aldeia onde viviam, dizerem: - Vamos à vila. Como era importante ir à vila. Lembro-me como ficava entusiasmada por acompanhá-los, principalmente a minha avó que, sempre me mimava com um pequeno extra, nem que fosse um cacho de bananas envolto numa folha de jornal e vendidas à dúzia, porque o orçamento era escasso e, embora a palavra crise não fizesse parte do seu vocabulário eram eles, que trabalhavam a terra donde tiravam o sustento, quem mais a sentia. E eu sentia-me, talvez como a minha neta, hoje, quando a levo ao centro comercial ou a uma loja chinesa. E apesar da crise há sempre um mimo. Não será um cacho de bananas que deixou de ser um luxo nem tão pouco virá embrulhado numa folha de jornal que foi substituída pelo plástico.

Se o passado é vago, mais o vai sendo o presente. Quando aí me desloco mal reconheço a minha vila. É o preço do desenvolvimento, ou talvez não. Quem sou eu para dizê-lo que ando pouco a par do que por aí se vai fazendo e acredito que será muito.

Ficam as saudades!






1 comentário:

Anónimo disse...

Bom.. sou todo da terra do Viriato, hoje percebo porque nasci na capital.
Não se pode ter tudo. rs

;)