Como podes, depois de cinco anos de teres partido, continuar a fazer-me voltar ao baú onde encerro as mágoas que me causaste?
Lágrimas já não tenho, nem para te chorar porque a saudade não me atormenta. Só a revolta pelo mal que me fizeste e a eles também.
Inconscientemente, deste-lhes vida e esperança.
Não conseguiste cumprir a tua tarefa, falhaste com todos e foste quem mais perdeu. Eles perderam-te, eu nunca te tive e tu perdeste-nos a todos.
Por fim, deixaste-mos, como herança.
Espero que aquele a quem deixaste partir antes de ti te tenha já perdoado e se encontre junto de ti. Se assim for, acarinha-o, como nunca o fizeste antes da partida.
Estavamos a tentar reconciliar-nos quando, sem aviso, foste embora. Não nos demos tempo uma à outra e agora estás a dificultar-me a vontade de o fazer porque estou muito zangada contigo. Preciso de ti e continuas sem me dar resposta.
Estou a tentar ajudar os que deixaste desamparados, incluindo o teu "adorado" marido.
Hoje voltei a ser maltratada pelo homem por quem trocaste os teus filhos.
Antes de optares por ele, ainda eras a minha heroína, embora com algumas mossas. Depois, caíste do pedestal e deixou de fazer sentido olhar-te como referência.
Arruinaste a tua vida, a dos teus filhos e ainda trouxeste ao mundo outra vítima da tua insensatez.
Quero odiar-te, mas nem isso consigo.
Queria fazer as pazes contigo e, finalmente, ficar em paz comigo mesma, mas sempre que entro naquela casa te afasto mais dos meus afectos.
Se voltasses não correria para os teus braços. Havia de mandar-te de volta e gritar-te-ia toda a revolta e desespero em que me deixaste.
Não consigo amar-te nem odiar-te, és uma estranha com quem sonho muitas noites e ainda chamo mãe.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
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2 comentários:
É coactivo ler as tuas dores, mas entendo-as em absoluto.
Bj
(uJ)
Prima,
Por vezes meia palavra basta, certo?
Temos uma herança sanguinea, que como tu dizes neste teu texto, te prefundamente decepcionou. Mas com a excepção de uma, são todos assim. Não sei até que ponto poderei aliviar o que tão descreves neste desabafo, mas deixa-me dizer-te, somos as vitimas das vitimas. Tenho a certeza, que houve qualquer razão para que as nossas nao demonstrassem aquilo que sentem/sentiam. O que nós felizmente já melhoramos na nossa geração. Mas por favor, tenta fazer pazes com isso, porque isso assim nunca irá passar. Como dizes, já fáz 5 anos que partiu.
Isto não e tentar defender, é apenas te pegar no colo. POr muitos defeitos que todos nós tenhamos, nem todos os conseguem compreender, nós como filhas, temos que tentar entender porque as coisas são assim.
Eu diria-te que uma coisa e certa, tudo bate na porta daqueles que fizeram mal outrora, por isso, a vida em si nao esquece ninguem.
Perdoa, porque temos ai um menino homem a quem dar o amor que aprendemos, na nossa geração a dar, porque esse sim é a maior vitima.
Levo-te ao colo para que possamos correr juntas nesta vida injusta, e algumas vezes infeliz, mas vamos procurar onde está a felicidade pois é que eternamente procuramos.
Beijos grandes prima gande.
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